25 agosto 2005

conservatória>conservador>conservação>putrefacção


Precisava de escrever qualquer coisa. Ontem estive numa Conservatória e «deliciei-me» – enquanto esperava pela minha vez de sofrer… – a contar o desperdício que vai neste país, e nós pagamos, claro.
Para cinco secretárias – cinco postos de trabalho à velocidade do século XIX, quase como a nossa rede ferroviária – contei cinco computadores, seis impressoras, uma fotocopiadora e uma fotocopiadora+impressora.
Seria de esperar, com tanto apetrecho que faz com que passear no escritório para ir buscar as impressões à máquina comum seja apenas uma memória distante, que os serviços fossem mais adequados à realidade. Puro engano. Cinco meses para conseguir um registo automóvel – aquela cartolina azul que anda junto com o livrete do carro e chama pelo dono.
Mas o melhor mesmo é saber que para começar um negócio temos de esbanjar o capital que nem sempre é fácil juntar, isto para pagar coisas arbitrárias e de utilidade próxima do zero. Primeiro eram 380,00 EUR para publicitar no Diário da República um acto deveras relevante que é a criação da Ovni, Livros e Serviços Lda. Mas depois a INCM já queria mais 392,50 EUR, sem sequer explicar porquê. Afinal na Conservatória dizem-me que paguei cinco laudas (em português corrente, páginas, que custariam 380,00 EUR) e que afinal a Conservatória enviou sete laudas (que custariam 532,00 EUR) mas que a INCM contabilizou dez! (a 772,80 EUR). E para que serve a publicitação no DR? E porque é que isto não é feito apenas na Internet? E porque raio sai mais caro fazer um anúncio no DR do que num jornal nacional?
Só consigo pensar que este dinheiro me dava para pagar quatro meses de renda do escritório, ou quinhentos e tal litros de gasóleo, ou a Segurança Social, ou…

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