01 novembro 2005

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Tenho saudades de escrever-te de madrugada, enquanto me envolves na tua nudez. De ficar tão preenchido de ti que a caneta queima e as palavras se inscrevem em brasa… as rimas são labaredas em desfile e esse calor devolve-nos a alvorada.
Acordamos exaustos e olhamo-nos. Os corpos misturam-se entre lençóis e sonetos. A música cresce-nos na pele e estamos prontos para viajar.
Depois, saboreamos tudo como se fosse a última manhã do mundo. Como se o dia não acabasse com a noite, apenas a possuísse, aqui e ali iluminado pelo latejar sensual de uma estrela errante.
Como és linda vista de onde estou. E. no entanto, vi-te já de mil maneiras e todas as vezes é uma sombra diferente que se destaca e me atrai e me confunde e me guarda… há quinhentos e cinquenta e seis dias que acordo contigo. E cada um deles é sempre novo e curto. […] Passam a correr os minutos de quietude que me dás a beber. Não há lugar nem tempo que se comparem nem que nos detenham mais que um olhar. Corremos para construir o mundo enquanto nos amamos, enquanto nos cortejamos. Cantamos sonhos e baladas mágicas, das que contagiam até os pássaros a entoarem com mais vigor. Então, apetece-me voar contigo para qualquer lado. Habitar o implausível. Romancear.
[21 de Dezembro de 1998]

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