26 dezembro 2005

Delícias da crueldade!

«Há os que escrevem para procurar os aplausos humanos, por meio de nobres qualidades que a imaginação inventa ou que até podem ter. Eu não, uso o meu génio para pintar as delícias da crueldade!
Delícias que não são passageiras, artificiais, mas que começaram com o homem e com ele acabarão. Não poderá o génio aliar-se à crueldade nas secretas resoluções da Providência? Ou não poderá ter génio quem é cruel? Ver-se-á a prova do que digo; basta que me escutem, se quiserem… Desculpem, parecia-me que os meus cabelos se tinham posto em pé; mas não foi nada, porque com as minhas mãos consegui facilmente fazê-los voltar à primitiva posição.
Aquele que canta não pretende que as suas narrativas sejam coisa desconhecida; pelo contrário, louva-se de que os pensamentos altivos e maus do seu herói estejam em todos os homens.»
(Lautréamont, 1983, Cantos de Maldoror, Lisboa, Fenda, p. 17, tradução de Pedro Támen)

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