02 maio 2006

O que vale é que as caixas estavam vazias…

Acontece que, prevendo a chegada do primogénito, quiseram os pais preparar-lhe com antecedência, e todo o rigor e ânimo que a ocasião exige, o leito e demais acessórios, que farão as delícias da sua ingénua percepção.

Afastados, na sua província, de adereços dignos, rumam à capital e, contando com um solarengo e prolongado fim-de-semana que afastaria dos templos do consumo os fiéis devotos, arriscaram empreender a árdua demanda.

Três horas e muitas etiquetas, referências, fita métrica, códigos e listas escritas a lápis depois, e a tarefa quase concluída, há alguém que se lembra, com a conivência da nossa fraqueza e desatenção, mas certamente também por elas tocado, aliviar-nos do esforço de empurrar o carro de compras. Do esforço de transportar adereços dispersos, uns previamente escolhidos, outros, a maioria, que ali se fizeram – e muitas referências e listas escritas a lápis…

A demanda passou então a incluir a busca do carro perdido. Quilómetros e quilómetros percorridos e nem sombra da carruagem dos nossos sonhos. Seria um aviso?

A verdade é que um pai dedicado é um pai sacrificado… Um pai que volta à casa de partida e, a despeito da sua saúde mental, avança contra a multidão de consumidores desenfreados e de promoções de última hora.

Não será como o pai hipocampo, que assume a tarefa de dar à luz os seus filhos, ou como o pai Latrodectus mactans, que lhes reserva não apenas os genes mas o próprio corpo, repasto da chorosa viúva.

Mas é um pai que goza imenso com a experiência. E, diria o Cesariny, lá fora – ah, lá fora! – ri de tudo!

2 Comments:

Blogger PhilStudio said...

Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

2/5/06 23:42  
Blogger PhilStudio said...

A felicidade de um pai...
Eh eh eh...
Gosto de te "sentir" assim.
Aquele abraço.

2/5/06 23:43  

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